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Resumo do artigo Feminist theories of technology, de Judy Wajcman

Wajcman começa seu texto falando que os feminismos liberal, feminista e pós-moderno não se desenvolveram em sucessões cronológicas ou perspectivas distintas. Ela então resgata a visão mais tradicional do que seria tecnologia, tomada em termos de maquinário industrial e poderio militar, ignorando tecnologias do cotidiano, ou seja, definindo-se com base em atividades historicamente masculinas.
Ela resgata o tradicional esforço do feminismo em demonstrar como os binarismos segundo os quais se dividiu a cultura ocidental privilegiam os pólos associados ao masculino, e afirma que do mesmo modo que as teóricas feministas tiveram um esforço em pensar o gerenciamento doméstico como contendo saberes associados a administração e economia, também mais recentemente é feito um esforço de associar as tecnologias do lar à esfera do campo tecnológico, dissociando a noção de tecnologia àquelas exclusivamente ligadas ao profissional de engenharia, sobretudo branco e de classe média.
Wajcman começa a seguir uma denúncia de que a própria cultura hacker, com sua competitividade e lógica da provação, acaba sendo machista, e que é muito mais difícil encontrar mulheres em empregos associados ao manejo ou desenvolvimento de tecnologias de ponta. Resgatando Sandra Harding, ela diz que, nesse sentido, é mais importante perguntar como a ciência se tornou tão envolvida em projetos masculinos e não como as mulheres podem se encaixar mais igualitariamente na ciência, uma vez que o feminismo socialista e o feminismo radical já demonstraram como as próprias tecnologias são muitas vezes pensadas segundo lógicas machistas.
A autora fala então das lutas que o feminismo radical assumiu contra tecnologias reprodutivas no fim dos anos 80, revisando a questão do machismo nas tecnologias, compreendendo-a com base na própria lógica de que tipos de tecnologia são desenvolvidas, superando o pensamento baseado na mera questão das apropriações, e indo de encontro ao pensamento das feministas socialistas.
Ela então começa a argumentar sobre o otimismo com que o feminismo de terceira geração vê a era digital, que borra as fronteiras entre homens e mulheres, humanos e máquinas e várias outras antes consideradas intransponíveis. Novamente, ela resgata a metáfora do ciborgue de Haraway, e demonstra como, na perspectiva desta tendência, as tecnologias são, ao contrário, libertárias. A autora então argumenta que as tecnologias não são separadas da sociedade, mas parte do tecido social, e é preciso entender que, mesmo sabendo das suas potencialidades libertárias ou que o próprio design dos objetos pode ser pensado conforme lógicas machistas, a tecnologia nem é inequivocamente libertária nem opressora, mas pode ser usada e mesmo desenhada para ambos os fins.
Enquanto as mulheres estiverem excluídas do processo do pensar tecnológico, contudo, as opressões e desigualdades não cessarão.


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O questionário que nos ajudará a desenvolver nossa pesquisa já está disponível on-line neste link! Ele deverá ser respondido apenas por estudantes de graduação em cursos de Comunicação Social da cidade de Salvador.

A sua resposta é completamente anônima e o mecanismo do formulário é seguro, gerado pelo Google. Sua resposta é importante para estabelecermos um panorama dos usos de redes sociais e softwares de edição e da inserção nas lógicas colaborativa e de computação em nuvem dos estudantes de Comunicação Social de Salvador.

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