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Brasil está na 82ª posição em ranking de desigualdade entre os sexos

País é um dos piores do mundo na questão da diferença salarial entre homens e mulheres
01 de novembro de 2011 | 11h 30 | Gustavo Chacra, correspondente de O Estado de S.Paulo

NOVA YORK – Mesmo com uma mulher na Presidência pela primeira vez em sua história, o Brasil ocupa a 82ª posição no ranking de desigualdade elaborado pelo World Economic Forum publicado nesta terça-feira, logo atrás de países como a Albânia, Gâmbia, Vietnã e República Dominicana.

A má colocação do Brasil, que está em último na América do Sul, se deve a um desempenho extremamente fraco na iniciativa para combater a desigualdade entre os sexos na economia e na política. Um dos problemas mais graves é a diferença salarial entre homens e mulheres que exercem o mesmo cargo.

“O Brasil é um dos piores países do mundo nesta questão salarial. As mulheres chegam a ganhar metade dos homens em alguns casos para trabalhar na mesma função”, disse ao Estado Saadia Zahidi, pesquisadora do World Economic Forum responsável pelo levantamento.

Na política, mesmo com a eleição da presidente Dilma Rousseff no ano passado, o Brasil também tem uma performance que o coloca fora dos cem primeiros colocados. Segundo Zahidi, “faltam mulheres em posições ministeriais e acima de tudo no Parlamento”.

O Brasil é o 103º e 111º colocado quando se leva em conta as mulheres em cargos ministeriais e parlamentares respectivamente em um desempenho considerado péssimo para um país com uma das maiores economia e democracias do mundo.

O World Economic Forum também adverte que faltam no Brasil mulheres em posições de liderança na iniciativa privada, ainda dominada pelos homens, de acordo com o levantamento.

Apesar de ter subido duas posições em relação ao mesmo ranking no ano passado, o Brasil manteve uma posição praticamente idêntica ao levantamento anterior. Mais grave, o país está bem distante da 67ª colocação de cinco anos atrás, quando teve a sua melhor performance.

Na América do Sul, Colômbia, Peru, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Uruguai, Chile, Equador, Argentina estão à frente do Brasil. Os argentinos, com um desempenho incomparavelmente superior ao dos brasileiros, estão na 28° colocação.

Apesar da fraca performance para igualdade entre os sexos na economia e na política, o Brasil ocupa a primeira colocação no ranking na área da saúde, empatado com vários outros países. Na educação, os brasileiros também lideram quando se leva em conta a educação secundária, mas despencam para 105ª colocação na primária.

Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,brasil-esta-na-82-posicao-em-ranking-de-desigualdade-entre-os-sexos,90527,0.htm


Resumo de “Inclusão digital, software livre e globalização contra-hegemônica”, de Sérgio Amadeu

Este texto aborda a política de inclusão digital e o movimento de software livre como uma força a favor do desenvolvimento sustentável do Brasil, da luta contra a pobreza e da globalização contra-hegemônica. A introdução trata de alguns dos principais da política de combate à exclusão digital, questionando até que ponto isto é importante diante de carências maiores provocados pela exclusão social. A definição mínima de “exclusão digital”, segundo Amadeu, passa pelo acesso ao computador e os conhecimentos básicos para a sua utilização. Atualmente, esta noção está vinculada, também, com o acesso à Internet, pois segue a ideia de que um computador que não esteja conectado à rede possui possibilidades extremamente restritas no que diz respeito à era da informação. Segundo o autor, existem diversas outras definições, mas a questão fundamental para o desenvolvimento das ideias deste texto está pautada na falta de acesso à Internet.

O autor apresenta uma tabela com a posição dos países por números de hosts, apresentada pela Network Wizards em 2002. Nela, o Brasil é o décimo colocado em números de acessos mundiais, perdendo apenas dos Estados Unidos, Japão, Canadá, Itália, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Holanda e França. Na tabela que compara os hosts nos países da América, o Brasil fica em terceiro colocado, apenas atrás dos Estados Unidos e do Canadá. Segundo o Censo 2002 do IBGE, apenas 10,6% dos domicílios brasileiros possuem computador, em um contexto em que menos de 40% possuem telefone fixo. Apesar do resultado apresentado pela Network Wizard, em termos relativos, temos menos linhas telefônicas do que nossos vizinhos Argentina e Uruguai e menos usuários individuais de Internet que Chile, Argentina e Peru.

A pesquisa Internet Pop, realizada pelo IBOPE em 2002 nas principais capitais brasileiras, mostrou que apenas 20% da população estava conectada à Internet, sendo que apenas 87% navegam com conexão de alta velocidade. Outras pesquisas realizadas mostravam que a situação das escolas, ensino médio e fundamental, também eram desanimadoras, com um pequeno número de estudantes com acesso à Internet e laboratórios de informática. Apesar de possuírem computadores, muitas escolas não tinham uma política educacional de seu uso como instrumento pedagógico.que, ao discutir

Segundo a Internet Business, de 2001, o Canadá e os Estados Unidos concentram 41% do acesso à Internet. Os países ricos usam bastante a Internet, enquanto os países pobres têm sua população bem distante dos benefícios das redes informacionais. O canadense Arthur Kroker, importante cientista político, alertou, em 1994, a formação de uma classe virtual que comandaria uma sociedade de ” info-ricos” e “info-pobres”. Segundo sua hipótese, a tecnologia trouxe mais desigualdade e mais dificuldade de superação.

Amadeu afirma que não seria exagero apontar a sociedade como tecnodependentes, pois, dificilmente seria encontrado algum exemplo histórico em que a sociedade não se organizasse de acordo com as principais tecnologias de seu período. O autor cita, então, Anthony Smith, que, em 1999, comparou a informação a um recurso social primário e apontou que a dependência informacional dos países periféricos poderia ser muito mais difícil de romper do que a existente nos períodos colonial e industrial. Amadeu desenvolve, então, a ideia de que a dinâmica capitalista e o barateamento das tecnologias de informação e comunicação estão possibilitando à sociedade ter mais acesso a elas, porém a elite as utiliza muito tempo antes de sua popularização.

O autor cita André Lemos, professor da Universidade Federal da Bahia, que, ao discutir o processo de virtualização das cidades nas sociedades atuais, disse que “o que está em jogo com as cibercidades é o intuito de lutar contra a exclusão social, regenerar o espaço público e promover a apropriação social das novas tecnologias”. Porém, até o momento, infelizmente, o que pode ser percebido é o alargamento da distância entre excluídos e incluídos. Mesmo com o constante barateamento das tecnologias, ainda percebemos uma grande disparidade de acesso às mesmas. Na América Latina, isto é nítido. No início do século XXI, 60% das crianças dessa região eram pobres e sem acesso às necessidades básicas. A revolução internacional não tem ajudado a reduzir a miséria.

A globalização não diminuiu a distância entre os pobres e os ricos. De acordo com Boaventura de Souza Santos, globalização é o conjunto de trocas desiguais pelo qual um determinado artefato, condição, entidade ou identidade local estende a sua influência para além das fronteiras nacionais e, ao fazê-lo, desenvolve a capacidade de designar como local outro artefato, condição, entidade ou identidade rival. Ele considera que a globalização é um fenômeno produzido e assimétrico (inclusão e exclusão em proporções diferenciadas).

O autor, então, desenvolve a ideia de Souza Santos e chega à afirmação de que a luta pelo digital pode ser uma luta contra a globalização contra-hegemônica. A luta pela inclusão digital não pode estar separada da defesa de processos que defendam a construção de identidade no ciberespaço pelos grupos sociais desprivilegiados, assim como a ampliação do multiculturalismo e da diversidade.

Os modelos de combate à exclusão social

Segundo Amadeu, no mínimo quatro pressupostos são assegurados a partir da ideia de transformar a inclusão digital em políticas públicas. São eles: o reconhecimento de que a exclusão digital amplia a miséria e dificulta o desenvolvimento humano e local; o mercado não irá incluir na era da informação a parte da população desprovida de dinheiro;  a velocidade da inclusão é decisiva para que a sociedade tenha sujeitos e quadros em número suficiente para aproveitar as brechas de desenvolvimento no contexto da mundialização de trocas desiguais e, também, para adquirir capacidade de gerar inovações; e, por fim, o direito à comunicação é sinônimo de direito a comunicação mediada por computador, sendo, então, uma questão de cidadania.

A política pública em questão não deve estar ligada apenas ao papel do Estado. As empresas precisam agir, assim como outras associações e organizações. Muitas ONGs já realizam projetos de inclusão digital. Projetos como o Sampa.org, CDI-SP, CDI, Rede favela (RJ), Informática na Comunidade, Garagem Digital são exemplos de iniciativas do terceiro setor. A eficácia dessas ações ainda não pode ser notada devido à dispersão das atividades e à ausência de indicadores consolidados.

É fundamental determinar quais são os papéis de cada uma dessas instâncias no processo de inclusão digital. Apesar as ONGs terem experiência e uma atuação mais ágil do que a do Estado, elas dependem diretamente do financiamento do mercado ou do próprio Estado. Amadeu questiona, então, se caberia ao mercado o papel de formular políticas públicas de inclusão digital. Para ele, há dois caminhos: o mercado poderia desvirtuar as políticas públicas, subordinando as metas de universalização e projetos mais viáveis de inclusão aos interesses mercantis de determinadas empresas; por outro lado, as empresas poderiam realizar parcerias importantes com o poder público, investindo em instrumentos de inclusão digital, como, por exemplo, telecentros.

O autor define três focos distintos no discurso e nas propostas de inclusão: inclusão digital voltada à ampliação da cidadania; o combate à exclusão digital como elemento voltado à inserção das camadas pauperizadas ao mercado de trabalho na era da informação; a importância da formação sócio-cultural dos jovens, na sua formação e orientação diante do dilúvio informacional, no fomento de uma inteligência coletiva capaz de assegurar a inserção autônoma do país na sociedade informacional. Esses três focos não são conflitantes entre si.

Disso, o autor segue para o objeto da inclusão digital. É possível distingui-la como o acesso: à Internet; aos conteúdos da rede; aos e-mails e aos modos de armazenamento de informações; a linguagens básicas (MP3, chats etc.); às técnicas de produção de conteúdo (html, xml e assim por diante); e, por fim, à construção de ferramentas e sistemas voltados às comunidades (programação, design etc.). Em geral, a maioria dos programas de inclusão digital estão voltados apenas para o acesso à Internet, esquecendo que isso é apenas um passo inicial. Dessa forma, fica cada vez mais visível que é possível diferenciar as políticas de inclusão digital, levando em consideração diferentes modelos, que podem ser considerados a partir de seis blocos:

1 – Unidades de Inclusão: bibliotecas informatizadas e conectadas à rede; laboratórios escolares de informática conectados à Internet; salas de aula informatizadas e conectadas; telecentros; quiosques (em geral, com um número pequeno de computadores conectados); totens ou orelhões de Internet.

2- Opções Tecnológicas: sistema operacional livre ou proprietário; hardware com soluções inovadoras, como thin-client, ou tradicionais do uso individual e caseiro; aplicativos copyright ou copyleft; voltados à interação e à solução de problemas das comunidades;

3- Atividades Disponíveis: uso livre, limitado ou monitorado; impressão de documentos; cursos presenciais e à distância; acesso à correio eletrônico e a área de arquivo própria; atividades comunitárias em rede;

4- Monitoria da Unidades: com ou sem monitores e orientadores contratados; com ou sem o envolvimento de voluntários; com ou sem o controle da comunidade, a partir de conselhos gestores eletivos.

5- Sustentabilidade das unidades: recursos do fundo público; recursos das empresas; contribuições individuais e coletivas; cobrança do usuário.

6- Autonomia e participação das Comunidades: comunidades com poder de decisão sobre a gestão; comunidades com poder consultivo sobre a gestão; comunidades com poder fiscalizador sobre a gestão; comunidades com poder orçamentário sobre o programa; comunidades com poder de planejar o futuro do programa.

Para Amadeu, o modelo mais eficaz de atividades de inclusão digital passa pelo envolvimento da comunidade no processo decisório e de planejamento, assim como envolvimento de ONGs no gerenciamento e na organização das atividades de inclusão digital.

Inclusão e liberdade: a questão do Software Livre

Amadeu afirma que o software livre é a maior expressão da imaginação dissidente de uma sociedade que busca mais do que a sua mercantilização. É um movimento baseado no compartilhamento do conhecimento e na solidariedade. Em 1985, o surgimento da Free Software Foundation começou o movimentocom a ideia de produzir um sistema operacional livre. Os vários esforços de programação eram reunidos em torno do nome GNU (Gnu Is Not Unix). A Licença Pública Geral (GPL, em inglês) foi imposta, afim de que os esforços não fossem utilizados indevidamente: isto ficou conhecido como copyleft, em oposição ao copyright. O GPL é aplicado em tudo o que o direito autora pode ser aplicado: músicas, livros, softwares etc.

Com a difusão da Internet, o movimento ganhou força e produziu um sistema operacional livre e multifuncional, o GNU/LINUX, fruto do trabalho de mais de 400 mil desenvolvedores espalhados pelos 5 continentes e por mais de 90 países. O sistema operacional da Microsoft, maior desenvolvedora de softwares, é produzido por uma empresa que tem em seu quadro fixo cerca de 30 mil funcionários, localizados nos Estados Unidos.

Na lógica de softwares proprietários, os usuários não possuem acesso ao código-fonte nem podem contribuir constantemente com o aprimoramento do sistema. Com isso, a inovação dos software livres podem ser muito maiores do que a inovação dos proprietários. O próprio mercado começou a utilizar o software livre. Apesar disso, o sistema proprietário ainda domina o mercado de computadores pessoais, em um desequilíbrio claramente visível.

O Brasil, com todo seu potencial produtivo e criativo, deve investir em políticas de inclusão digital a partir de uma perspectiva que incentive a queda do valor pago de royalties ao exterior e incentive o crescimento das empresas nacionais, sem vetar, claro, as empresas multinacionais em nosso país. Amadeu afirma que, “em síntese, é fundamental integrar a política de inclusão digital, de informatização das escolas, das bibliotecas públicas e à adoção de TI como instrumento didático-pedagógico à estratégia de desenvolvimento tecnológico nacional.” Outros argumentos para o uso de software livre nas políticas de inclusão digital diz respeito aos recursos economizados com as licenças de propriedade; o incentivo na formação e profissionalização nesta área, pois os telecentros, por exemplo, precisariam de mão de obra especializada; e, “como último argumento listado, não é correto utilizar dinheiro público para formar e alfabetizar digitalmente os cidadãos em uma linguagem proprietária de um monopólio privado transnacional”. O sistema operacional é o item mais importante de um computador, por ser uma linguagem que possibilita a comunicação homem-máquina e homem-máquina com outro homem-máquina. E o fato de os sistemas proprietários serem construídos afim de evitarem a compatibilidade com outros sistemas concorrentes causa o monopólio, e o dinheiro público deve ser utilizado para incentivar a proliferação de linguagens e softwares essenciais de domínio público.

Para exemplificar os argumentos acima, Amadeu afirma que caso o TCP/IP, principal linguagem da Internet, fosse de propriedade privada de uma empresa, provavelmente a rede mundial de computadores não teria a penetração e perfil democrático que tem hoje. Segundo ele, “o combate à exclusão digital está intrinsecamente ligado à democratização e desconcentração do poder econômico e político”.

Conclusão: livre e includente

Para concluir, o autor afirma que a visão de que o uso de computador só é importante para a profissionalização da população deve ser deixada para trás. As crianças e adultos que estão fora da escola também devem ser incluídos nas políticas de inclusão digital. A comunicação mediada por computadores deve ser realidade de todos, inclusive da parcela pobre da população. O controle das linguagens tecnológicas devem estar acessíveis a todos. Forma-se um claro vínculo entre o software livre e o combate à exclusão digital.

Incluir digitalmente é um grande passo contra a miséria e sua proliferação. O compartilhamento de softwares e de conhecimento é decisivo para a democratização tecnológica. A liberdade, a contra-hegemonia, a autonomia e a desconstrução de monopólios devem ser incentivados em prol da inclusão digital.

(O texto original pode ser encontrado aqui.)


Questionário no ar!

O questionário que nos ajudará a desenvolver nossa pesquisa já está disponível on-line neste link! Ele deverá ser respondido apenas por estudantes de graduação em cursos de Comunicação Social da cidade de Salvador.

A sua resposta é completamente anônima e o mecanismo do formulário é seguro, gerado pelo Google. Sua resposta é importante para estabelecermos um panorama dos usos de redes sociais e softwares de edição e da inserção nas lógicas colaborativa e de computação em nuvem dos estudantes de Comunicação Social de Salvador.

Obrigado pela sua participação.


Resumo do texto “Teoria Queer: uma política pós-identitária para a educação”, de Guacira Lopes Louro

Nos últimos vinte anos, a sexualidade tem recebido grande atenção de cientistas, religiosos, antropólogos, educadores e estudiosos em geral, sendo, desde então, entendida das mais diferentes maneiras. Segundo Lopes Louro, Foucault certamente diria que, atualmente, proliferam cada vez mais os discursos sobre o sexo e que as sociedades continuam produzindo, avidamente, um “saber sobre o prazer” ao mesmo tempo que experimentam o “prazer de saber”.

Hoje, as “minorias” sexuais estão mais visíveis e, consequentemente, a sua luta com os conservadores está mais explícita. Porém, parece impróprio o termo “minorias”. Como afirma a revista La Gandhi Argentina, em uma edição de 1998, “as minorias nunca poderiam se traduzir como uma inferioridade numérica mas sim como maiorias silenciosas que, ao se politizar, convertem o gueto em território e o estigma em orgulho – gay, étnico, de gênero”. Lopes Louro defende que a visibilidade possui dois lados: uma crescente aceitação da pluralidade sexual, mas, também, o aumento de ataques dos tradicionais, que realizam desde discursos em prol dos “valores tradicionais da família” até agressões extremas. As fronteiras vêm sendo extravasadas e, com isso, novas questões – sem respostas certeiras – estão surgindo.

Construindo uma política de identidade

Antes, relações sexuais entre pessoas do mesmo século eram consideradas atividades pecaminosas. Hoje, esta prática define um tipo de sujeito marcado e reconhecido, categorizado como um “desvio da norma”. Nadando contra a corrente, algumas pessoas contestam a sexualidade legitimada e se arriscam a viver fora dos limites, expondo-se, muitas vezes, à violência e à exclusão social. Os diferentes campos (ciência, justiça, religiões, conservadores etc.) passam a atribuir a este grupo sentidos distintos. Desta forma, a homossexualidade transforma-se em questão socialmente relevante, sobretudo o seu significado moral: uns assinalam a inferioridade ou anormalidade do homossexual e outros lutam por sua normalidade e naturalidade, mas todos parecem de acordo de que se trata de um ‘tipo’ de humano distinto.

Até o início dos anos de 1970, esses são os discursos mais expressivos. A organizações de grupos homossexuais ainda é fraca e, muitas vezes, clandestina. Aos poucos, principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra, a questão da homossexualidade começa a surgir em revistas, artigos isolados, teatro etc. No Brasil, começa a aparecer nas artes, publicidade, teatro. Alguns artistas passam a apostar na ambiguidade sexual, pertubando a sociedade. O cantor Ney Matogrosso e o grupo Dzi Croquettes misturam referências femininas e masculinas em suas performances e, segundo João Silvério Trevisan, acabam por desempenhar um papel importante no debate sobre política sexual no Brasil. A partir de 1975, emerge o Movimento de Libertação Homossexual no Brasil, do qual participaram, dentre outros, intelectuais exilados durante a ditadura militar e que traziam, de suas experiências no exterior, inquietações políticas feministas, sexuais, ecológicas e raciais.

Nos grandes centros, a homossexualidade deixa de ser vista como condição uniforme e passa a ser vista como dimensão de classe. A ação política torna-se mais visível e assume caráter libertador. As suas críticas voltam-se contra a heterossexualização da sociedade. Para alguns, o alvo é a integração social e, para outros, sobretudo para as feministas lésbicas, o caminho é a construção de uma comunidade própria. Intelectuais de diversas instituições internacionais mostram sua afinidade com o movimento e grupos militantes. Pouco a pouco, constrói-se a ideia de uma comunidade homossexual. No final dos anos 1970, a política gay e lésbica abandonava o modelo de libertação e se encaminhava para um modelo “étnico”; um grupo que buscava alcançar igualdade de direitos no interior da ordem social existente.

A afirmação da identidade homossexual implicava disputas quanto às formas de representá-la. Imagens homofóbicas e estereótipos exibidos na mídia passam a ser contrapostos por representações “positivas”. Surge um dilema fundamental para a comunidade: “assumir-se” ou “permanecer enrustido”. Segundo uma frase de Spargo (“to come home, of course, you first had to come out”), para fazer parte da sociedade homossexual, é indispensável tornar pública sua condição.

No final dos anos 1970, no Brasil, surgem jornais ligados aos grupos organizados e reuniões de discussão e de ativismo. Em conexão com o movimento político, muitas personalidades do campo artístico e cultural passam a se assumir publicamente. Sobretudo a partir dos anos 1980, a temática passa a constituir, também, uma questão acadêmica, discutida em algumas universidades e grupos de pesquisas.

O discurso sobre uma representação “positiva” da homossexualidade assume um efeito regulador e disciplinador. Nesse discurso, ser gay ou lésbica diz respeito apenas à preferência de ter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. Contudo, foi questionado por Spargo, que defendeu que, com esse modelo, os bissexuais teriam uma identidade menos segura e grupos que definem sua sexualidade mais como atividades e prazeres do que através de preferências de gênero seriam excluídos.

A política praticada nos anos 1970 e 1980, unificadora e assimilacionista, passou a ser questionada internamente. Grupos de negros, latinos e jovens, sobretudo, passaram a questionar que as campanhas políticas eram norteadas por “valores brancos e de classe média”, sem abordar temas como relacionamento comprometido e monogâmico. Para algumas lésbicas, o movimento privilegiava os homens, tornando as suas reivindicações secundárias face às reivindicações dos homens gays. Bissexuais, transsexuais e sadomasoquistas continuavam marginalizados. A concepcão da identidade homossexual que estava sendo construída era a questão mais debatida.

Nos anos 1980, o surgimento da AIDS trouxe novos elementos ao jogo. O “câncer gay” resgatou a homofobia da sociedade e intensificou a discriminação, a intolerância e o desrespeito. Por um outro lado, surgiram redes de solidariedade, baseadas além da identidade. Os discursos, agora, concentram-se mais nas práticas sexuais, como o sexo seguro. Nesse contexto, aconteceu o que João Silvério Trevisan chama de “efeito colateral da epidemia sexualizada”: a deflagração de uma “epidemia de informação”. Para ele, a AIDS deixou evidente à sociedade a existência dos homossexuais.

No Brasil, os grupos ativistas, de gays e lésbicas, aumentaram. As possibilidades dividem-se em integrar partidos políticos ou continuar a luta de forma independente. Em um contexto global, os grupos multiplicam-se: alguns seguem ndo por reconhecimento e inclusão; outros, seguem desafiando as fronteiras de gênero e a dicotomia masculino/feminino, homem/mulher, heterossexual/homossexual.

A agenda teórica agora questionava as próprias categorias. A política homossexual estava em crise. Surgiram formulações teóricas pós-identitárias.

Uma teoria e uma política pós-identitária

Queer pode ser “estranho”, “talvez ridículo”, “excêntrico”, “raro”, “extraordinário”. É também uma forma pejorativa de se referir a homens e mulheres homossexuais, um insulto dom tom de deboche. Este termo é resgatado por uma vertente dos movimentos homossexuais e utilizado para caracterizar sua perspectiva de oposição e de contestação: para eles, queer é colocar-se contra a normalização, venha ela de onde vier. Nesta perspectiva, tem como alvo imediato a heteronormatividade da sociedade, mas também a normalização proposta pelo movimento homossexual dominante.

A política queer está ligada à produção de um grupo de intelectuais dos anos 90, que usa este termo para descrever suas perspectivas teóricas. Segundo Seidman, os teóricos queer são “favoráveis a uma estratégia descentradora ou desconstrutiva que escapa das proposições sociais e políticas programáticas positivas; imaginam o social como um texto a ser interpretado e criticado com o propósito de contestar os conhecimentos e as hierarquias sociais dominantes”.

A teoria queer pode ser vinculada ao pensamento ocidental contemporâneo que problematizou, ao longo do século XX, noções clássicas de sujeito, de identidade, de agência, de identificação. A construção discursiva das sexualidades, exposta por Foucault, é fundamental para a teoria queer, assim como a operação de desconstrução proposta por Jacques Derrida. Derrida defende que a lógica ocidental opera segundo binarismos, que elege algo como uma “ideia principal” e, a partir daí, determina um outro subordinado (superior x inferior). Segundo ele, esta lógica apenas poderia ser abalada a partir de um processo de desconstrução dos “pares”.

Os teóricos queer, a exemplo de Judith Butler, uma das mais destacadas teóricas, reafirma o caráter discursivo da sexualidade e produz novas concepções da ideia de sexo, sexualidade e gênero. Para ela, sociedades constroem normas que regulam o sexo dos sujeitos e essas normas regulatórias precisam ser constantemente repetidas e reiteradas para que tal materialização se concretize. Desta forma, as normas regulatórias do sexo têm caráter performativo e produz as normas dos gêneros sob a ótica heterossexual, produzindo corpos e sujeitos, fazendo com o que o sujeito não decida sobre o sexo que vai assumir.

Essas normas regulatórias, porém, também dão espaço para a produção de corpos que não se ajustam a elas, sujeitos socialmente indispensáveis, pois fornecem o “exterior” para os corpos que “materializam a norma”. Novamente: a teoria queer, não só Butler, volta sua crítica para a dicotomia heterossexual/homossexual, pois, para eles, isto preside os discursos homofóbicos e está presente, também, nos discursos favoráveis aos homossexuais, nunca escapando de uma referência à heterossexualidade como norma. Segundo os teóricos da teoria queer, é necessário empreender uma mudança que rompa com a lógica binária e seus efeitos (hierarquia, classificação, dominação e exclusão) e mudar o foco para a cultura, para as “estruturas linguísticas ou discursivas” e para seus “contextos institucionais”.

A teoria queer, segundo Seidman, “constitui-se menos numa questão de explicar a repressão ou a expressão de uma minoria homossexual do que numa análise da figura hetero/homossexual”.

Uma pedagogia e um currículo queer

A teoria queer permite pensar a ambigüidade, a multiplicidade e a fluidez das identidades sexuais e de gênero mas, além disso, também sugere novas formas de pensar a cultura, o conhecimento, o poder e a educação. Uma pedagogia queer não seria como programas multiculturais nos quais as as diferenças (de gênero, sexuais ou étnicas) são toleradas ou apreciadas como curiosidades. Uma pedagogia e um currículo queer estariam voltados para a produção das diferenças, questionando as relações do eu com o outro. No contexto em que a diferença deixaria de estar ausente, a polarização heterossexual/homossexual seria questionada, assim como a superioridade da heterossexualidade. Para a pedagogia queer, não bastaria denuniciar o submetimento dos homossexuais, mas desconstruir o processo pelo qual alguns sujeitos se tornam normalizados e outros marginalizados

A reviravolta provocada pela teoria queer transborda o terreno da sexualidade, perturba as formas convencionais de conhecimento. A pedagogia queer sugere o questionamento, a desnaturalização e a incerteza como estratégias férteis e criativas para pensar qualquer dimensão da existência. A dúvida seria algo estimulante.

Faltam, porém, para esta pedagogia, objetivos definidos, indicações precisas e sugestões adequadas para conduzir os estudantes. A teoria queer, embora perturbadora, é fascinante e faz pensar.


Resumo do capítulo 1 do livro “As donas no poder: mulher e política na Bahia”ng

A construção do pensamento feminista sobre o “não-poder” das mulheres

A autora Ana Alice Alcântara Costa inicia o seu livro com uma reflexão sobre o lugar de subordinação que, historicamente, as mulheres têm estado, exercendo apenas pequenas parcelas de poder, mas de maneira extremamente desigual, comparado com a supremacia masculina. Ela dedica o primeiro capítulo de seu livro, então, para analisar a opressão feminina.

1. O marxismo

A autora aponta Karl Marx e Frederic Engels como os responsáveis pela primeira tentativa de explicar a condição subalterna das mulheres na sociedade moderna, sem pautar a questão em causas biológicas e distanciando a condição de dependência das mulheres da sua natureza feminina. Para eles, esta condição é fruto de um processo histórico ligado à evolução da família. Engels afirma, na obra A origem da Família, da propriedade privada e do Estado, que o surgimento da propriedade privada e da possibilidade de formação de excedentes, junto à responsabilidade natural do homem pelos instrumentos de trabalho, tornou o homem o responsável pela acumulação das riquezas, excluindo a mulher deste papel. O homem tornou a mulher, responsável pelo trabalho doméstico, sua escrava, como forma de garantir a paternidade de seus filhos, possibilitando a transmissão de sua riqueza para seus descendentes. Desta forma, o marxismo clássico defende que a opressão feminina é fruto da propriedade privada e do papel de “instrumento de reprodução” adotado pela mulher dentro da estrutura familiar. A família burguesa patriarcal ratifica, através de gerações e gerações, a divisão da sociedade entre exploradores e explorados.

A concepcão desenvolvida por Engels e Marx foi profundamente criticada por antropólogos, historiadores, teóricas feministas e também por autores que utilizam a perspectiva marxista de análise social. Uma das críticas diz respeito à questão da propriedade privada como a responsável pela opressão feminina: as experiências socialistas ocorridas na Europa e na Ásia, que aboliam a propriedade privada, não causaram mudanças significativas na condição feminina. Antropólogos confirmaram a existência de sociedades primitivas, não baseadas em uma estrutura classista, em que as mulheres eram subordinadas à dominação masculina. Críticas também foram feitas à afirmação de Engels sobre a existência de um “matriarcado”, pois estudos posteriores feitos em comunidades primitivas não encontraram mulheres em posições de liderança. A divisão “natural” do trabalho na família proposta por Marx e Engels, como se o trabalho doméstico fosse algo inerente à condição feminina, também recebeu fortes críticas.

Marx defendia que a força de trabalho, no capitalismo, era uma mercadoria e que a procriação reproduzia esta força de trabalho. Ele não levou em conta que as mercadorias necessárias para a reprodução da forma de trabalho não se encontram prontas para consumo no mercado e que a mulher, através do trabalho doméstico, é responsável pelos alimentos, vestuário e lar; a mulher, através do trabalho não remunerado, possibilita maiores taxas de mais-valia e o barateamento da força de trabalho.

A capacidade de reproduzir a espécie sempre foi um dos fatores auxiliares para a opressão feminina. A teórica feminista Zillah Eisenstein afirma que “Marx não entendeu que a divisão sexual do trabalho dá lugar a um trabalho solitário para as mulheres” e diz que as mulheres, para Marx e Engels, continuariam responsáveis pelo trabalho doméstico mesmo após a transformação das relações de produtos. Por sua vez, a teórica feminista Batya Weinbaum afirma que Marx utilizava uma concepção patriarcal para analisar a economia política da sociedade capitalista. Além disso, Marx pecou, também, por não considerar o trabalho não-remunerado das mulheres nas famílias.

2. O patriarcado e o feminismo radical

A busca pelas respostas aos questionamentos relacionados à problemática feminina levou à teoria do patriarcado. Kate Millett foi a primeira teórica feminista que buscou uma explicação sobre a subordinação feminina nos conceitos de poder e dominação patriarcal desenvolvidos por Max Webber (“o domínio patriarcal é o tipo mais puro de dominação”). Para ela, que buscou referências também em Simone de Beauvoir, a relação estabelecida entre homens e mulheres é política, baseada na crença generalizada da supremacia biológica dos pobres sobre as mulheres. Millett afirma que o patriarcado é “uma instituição revestida de aspectos ideológicos e biológicos que têm a ver com a divisão social, os mitos, a religião, a educação e a economia”.

Para a teórica Shulamit Firestone, a função reprodutiva da mulher é a base para a sua opressão, sendo que apenas com a libertação da mulher do papel de reprodutora, possibilitado com o progresso das tecnologias de reprodução, o desequilíbrio entre homens e mulheres deixaria de acontecer. Este ponto de vista é adotado por grande parte das teóricas do patriarcado, mas outras vertentes, como a de Catherine Mackinson, tinham na sexualidade a resposta à dominação patriarcal, fundamentando-se mais na biologia do que na economia ou na história. As “feministas radicais”, como são conhecidas, sofreram uma série de críticas, sobretudo devido ao caráter biológico e não histórico de suas formulações. Um dos críticos, Gayle Rubin, alegava que não se deve usar “patriarcado” e sugere a utilização do termo “sistemas sexo/gênero” para tratar da relação de dominação. A autora deste livro, por sua vez, afirma que usar o termo “sistemas sexo/gênero” pode trazer sem seu bojo concepções biologistas, e isto também não é indicado.

Eisenstein critica Firestone por separar de maneira artifical as esferas econômicas e sexuais. Ela também critica a ideia de que o corpo da mulher define sua existência. Joan Scott, historiadora norte-americana, apresenta dois problemas para a utilização das formulações das teóricas do patriarcado: a) não explicam o que a desigualdade de gênero tem a ver com as outras desigualdades; b) esta teoria baseia-se apenas na variável única da diferença física. Apesar das críticas, esta teoria é muito importante para a construção do pensamento feminista, pois traz novos elementos para análise que possibilitam a reflexão sobre a opressão feminina e, posteriormente, auxiliam na construção do conceito de gênero.

3. O não “tão estranho” casamento entre feminismo e marxismo

As teóricas feministas, conscientes de que a teoria marxista não explicou a totalidade de questões relativas à posição feminina, passaram a dar continuidade a este pensamento, tratando da questão de produção e reprodução dentro de uma perspectiva do modo de produção, tendo como ponto de partida, geralmente, a questão do trabalho doméstico.

As feministas radicais assimilaram a ideia de que a subordinação é anterior ao capitalismo e que a mudança econômica para o modelo socialista não é estratégia suficiente para a eliminação da subordinação da mulher, que requer mais do que uma mudança no sistema econômico. Juliet Mitchell muito contribuiu para o feminismo socialista, a partir de uma visão crítica sobre a teoria marxista e a condição da mulher. Para elam as estruturas chaves da situação da mulher são: a produção, a reprodução, a sexualidade e a socialização das crianças.

O papel de reprodutora converteu a mulher em um complemento espiritual do papel do homem na produção. Para Mitchell, é na sexualidade que, historicamente, a mulher vem sendo mais oprimida: a mulher tem sido apropriada como objeto sexual, progenitor ou produtor, sendo sempre uma espécie de propriedade privada do homem na relação familiar. Ela afirma, também, que a família é um reforço na opressão à mulher, pois desenvolve três papéis distintos: reprodução, sexualidade e socialização das crianças.

Para as feministas socialistas, a opressão e a exploração da mulher eram resultado de esferas distintas do poder. A opressão estava baseada na organização social da sociedade (o partiarcado), enquanto que a exploração estava baseada na estrutura classista da soecidade (o capitalismo). Estas teóricas recuperam a teoria do patriarcado sem isolá-lo da estrutura econômica, como faziam as feministas radicais. A teórica Heleieth Safiotti conseguiu aproximar-se da essência entre patriarcado e capitalismo de maneira mais intensa, buscando explicar a desiguldade social da mulher.

3.1. Saffioti e a simbiose “patriarcado-racismo-capitalismo”

Saffioti exclui do termo “patriarcado” qualquer relação com a teoria weberiana. Para ela, não se pode entender o patriarcado ou o capitalismo como sistemas autonômos ou independentes: os dois devem ser examinados de forma integrada; classe e gênero são construídos ao longo da história. Esta autora critica a posição das feministas socialistas no que se refere à concepção do patriarcado capitalista, pois patriarcado e relações de classe não são, segundo ela, lados autonômos: patriarcado e capitalismo são faces distintas do mesmo modo de produzir e reproduzir a vida. A concepção de simbiose “patriarcado-racismo-capitalismo”, formulada por Saffioti adapta-se ao conceito de genêro discutido a seguir.

4. O conceito de “gênero” e as “relações de gênero”

Gênero” foi atribuído pelos homens em meados da década de 80, com base nas diferenças visíveis entre homens e mulheres, como forma de sintetizar as relações hierárquicas estabelecidas nos maiores diferentes níveis da vida social. O conceito de gênero surge como um conceito relacional enquanto categoria de análise. Retoma a ideia de que “não se nasce mulher, torna-se mulher”, já explorada por Simone de Beauvoir: uma mudança do corpo biológico ao corpo natural, sexo ao gênero, estruturas que definem o sexo feminino e o sexo masculino dentro de padrões sociais universais.

Para Joan Scott, para entender a condição de desigualdade da mulher é necessário tratar do sujeito individual, da organização social e de suas relações. Ela desenvolve um conceito de gênero que se estrutura basicamente através destas premissas: a) gênero como elemento constitutivo de diferenças percebidas entre os sexos; símbolos culturais; conceitos normativos; organizações sociais; identidade subjetiva. b) gênero como forma nova de significar as relações de poder.