Arquivo do dia: dezembro 17, 2011

Resumo do artigo Feminist theories of technology, de Judy Wajcman

Wajcman começa seu texto falando que os feminismos liberal, feminista e pós-moderno não se desenvolveram em sucessões cronológicas ou perspectivas distintas. Ela então resgata a visão mais tradicional do que seria tecnologia, tomada em termos de maquinário industrial e poderio militar, ignorando tecnologias do cotidiano, ou seja, definindo-se com base em atividades historicamente masculinas.
Ela resgata o tradicional esforço do feminismo em demonstrar como os binarismos segundo os quais se dividiu a cultura ocidental privilegiam os pólos associados ao masculino, e afirma que do mesmo modo que as teóricas feministas tiveram um esforço em pensar o gerenciamento doméstico como contendo saberes associados a administração e economia, também mais recentemente é feito um esforço de associar as tecnologias do lar à esfera do campo tecnológico, dissociando a noção de tecnologia àquelas exclusivamente ligadas ao profissional de engenharia, sobretudo branco e de classe média.
Wajcman começa a seguir uma denúncia de que a própria cultura hacker, com sua competitividade e lógica da provação, acaba sendo machista, e que é muito mais difícil encontrar mulheres em empregos associados ao manejo ou desenvolvimento de tecnologias de ponta. Resgatando Sandra Harding, ela diz que, nesse sentido, é mais importante perguntar como a ciência se tornou tão envolvida em projetos masculinos e não como as mulheres podem se encaixar mais igualitariamente na ciência, uma vez que o feminismo socialista e o feminismo radical já demonstraram como as próprias tecnologias são muitas vezes pensadas segundo lógicas machistas.
A autora fala então das lutas que o feminismo radical assumiu contra tecnologias reprodutivas no fim dos anos 80, revisando a questão do machismo nas tecnologias, compreendendo-a com base na própria lógica de que tipos de tecnologia são desenvolvidas, superando o pensamento baseado na mera questão das apropriações, e indo de encontro ao pensamento das feministas socialistas.
Ela então começa a argumentar sobre o otimismo com que o feminismo de terceira geração vê a era digital, que borra as fronteiras entre homens e mulheres, humanos e máquinas e várias outras antes consideradas intransponíveis. Novamente, ela resgata a metáfora do ciborgue de Haraway, e demonstra como, na perspectiva desta tendência, as tecnologias são, ao contrário, libertárias. A autora então argumenta que as tecnologias não são separadas da sociedade, mas parte do tecido social, e é preciso entender que, mesmo sabendo das suas potencialidades libertárias ou que o próprio design dos objetos pode ser pensado conforme lógicas machistas, a tecnologia nem é inequivocamente libertária nem opressora, mas pode ser usada e mesmo desenhada para ambos os fins.
Enquanto as mulheres estiverem excluídas do processo do pensar tecnológico, contudo, as opressões e desigualdades não cessarão.


Resumo do texto Hackeando o Patriarcado

Boix inicia seu texto falando da ampliação das possibilidades de coordenação de estratégias e denúncias feministas com o advento das (já não tão) novas tecnologias da informação e da comunicação. Ela cita alguns nomes percussores do ciberfeminismo, como Haraway com seu manifesto ciborgue, as artistas da VNS Matrix na Austrália e os ensaios pioneiros da britânica Sadie Plant, e afirma que embora na Espanha não se tenham apresentado trabalhos tão pioneiros, a organização posterior de redes de denúncias contra a violência de gênero e os trabalhos acadêmicos de nomes como Ana Martínez Collado e Ana Navarrete.
Ela fala então que a campanha realizada a partir de 1994 para denunciar a discriminação da população dos Chiapas, no México, constitui marco no ciberativismo, e fala na Marcha Mundial das Mulheres, que se consolida como agregador de diversos grupos. Menciona a denúncia contra a violência como nexo organizador de diversos grupos de diferentes tradições e origens.
Começa a citar diversas denúncias empreendidas por diferentes grupos contra a violência de gênero e mostrar o nexo de uma narração virtual múltipla para a visibilidade dos movimentos sociais. Se detém um pouco sobre a VNS Matrix, cujo objetivo era o de crackear a indústria pornô, quebrar-lhe as lógicas, subverter-lhe os códigos. Fala também da Parthenia, monumento global às vítimas de violência doméstica, publicando as histórias privadas de sofrimento das mulheres vítimas deste tipo de agressão e das hackers do antichildporn.org. Tudo isso para demonstrar a necessidade de ocupação do ciberespaço pelos movimentos sociais, com enfoque no movimento feminista.
Ela parte então para uma história particular do movimento ciberfeminista no estado espanhol, e então a seguir finaliza o texto com histórias de hacktivismo, como a da inversão das vozes de Barbies e GI Joes, bonecos, pelo grupo hacktivista Barbie Liberation Organization.
O fundamental deste artigo não é distinguir termos e conceitos, e sim deter-se nos exemplos de mediativismo, ciberativismo, hacktivismo etc. O que a autora faz é dar exemplos de grupos que hackearam o patriarcado, e convencer leitores e leitoras da importância de fazê-lo. Entrecortado por depoimentos, trechos de manifestos e povoado de hiperlinks, o artigo de Boix tem pretensões muito mais de mobilização social do que de discussão conceitual, mostrando a potencialização pelo ciberativismo da implosão de barreiras entre teoria e prática, já postulada pelos feminismos tradicionais.