Arquivo do dia: outubro 20, 2011

Resumo do texto Nuevas tecnologias y género: la segunda brecha digital y las mujeres (Cecilia Castaño)

Pode parecer que, com o aumento de usuários de computador e internet, diminuiu a divisão entre homens e mulheres, no entanto, a segunda divisão, relativa aos usos e habilidades parece difícil de resolver.

A difusão tecnológica que ocorreu com a televisão e o telefone móvel, por exemplo, sugerem que estes processos de difusão eliminam as diferenças econômicas e sociais. Porém, nem todas as nações, nem todos os cidadãos incorporam as inovações no mesmo ritmo, alguns, inclusive, nem chegam a incorporar.

Mesmo que o individuo se torne usuário não significa que este seja um usuário avançado. As empresas necessitam incorporar as inovações tecnológicas. Como consequência, provoca um processo de substituição de empregos: enquanto se destroem alguns, criam-se outros.

Rogers diferencia os indivíduos em cinco grupos:

1 – Inovadores

2 – Early Adopters – Lideres sociais com alto nível intelectual

3 – Early Majority – Prudentes e com grande rede de contato

4 – Late Majority – Baixo status socioeconômico

5 – Retardados – Tradicionais ou isoladas em seu sistema social

Roger deduz que para que o acesso seja efetivo, a possibilidade de acesso deve ser somada ao conhecimento, interesse, assim como a utilidade e aplicabilidade desta ferramenta para objetivos pessoais.

O estudo da Divisão Digital deve ir além do acesso à internet e analisar os usos e sua intensidade.

Alguns autores consideram a tecnologia o caminho potencial de exclusão social, pois a ausência de tecnologia constitui uma desvantagem para certos grupos sociais. Outros insistem que a existência de divisões digitais constitui uma barreira para o desenvolvimento de uma “Sociedade de Informação Equitativa”.

A barreira mais difícil de derrubar não é a do acesso (1ª divisão), mas a do uso (2ª divisão).

Rogers define a divisão digital como “a divisão que existe entre indivíduos que tiram proveito da internet e aqueles outros que estão em desvantagem relativa a respeito da internet”.

Divisão do Conhecimento: os seguimentos com nível socioeconômico mais elevado tendem a apropriar-se a uma velocidade mais rápida que os indivíduos de nível mais baixo. Aumentando, assim, a divisão em lugar de reduzir. Acesso não é o suficiente. É necessário também possuir determinadas habilidades para manusear um computador (complexo artefato multitarefa).

O que faz dos computadores “radicalmente diferentes, sem dúvidas, é que é uma ferramenta muito poderosa para trabalhar e aprender, e que requerem uma certa capacidade de memoria e de pensamento abstrato, que constituem a base das habilidades de aprendizagem”.

A internet é uma inovação caracterizada por um alto grau de vantagem relativa. Pensamos que está ao alcance de todos, mas, na verdade, requer certas capacidades para buscar informações, processa-las e utiliza-las para alcançar determinados objetivos.

A segunda Divisão está relacionada com a divisão do conhecimento, com as “habilidades digitais”. Gilster propõe o termo “Digital Literacy” (Alfabetização digital) para definir a capacidade de adaptação às novas “Tecnologias da Informação e Comunicação” (TIC). Surpreende a pequena quantidade de pessoas que possuem estes conhecimentos, incluindo jovens e licenciados universitários.

Os benefícios da Digital Literacy são evidentes e implica em adquirir conhecimentos de busca, classificação, avaliação e apresentação da informação.

As diferenças entre homens e mulheres se dão em todas as sociedades atuais. Os homens são usuários mais regulares de internet que as mulheres em todos os países e grupos de idade, além de muito mais homens que mulheres ocuparem empregos de informática na U.E.

Em todas as idades, a proporção de mulheres com níveis altos de habilidade em informática e navegadores é menor que de homens. A proporção de mulheres que trabalham profissionalmente com informática é muito pequena e não vem melhorando. A preocupação é que estas diferenças de gênero nas profissões de informática não parecem que tende a reduzir no futuro.

Três tipos de fatores que afetam o uso do computador e da internet: Capital humano; Contexto familiar; Contexto Social.

Estatísticas mostram que existe uma relação positiva entre o capital humano de uma pessoa e seu uso privado do computador e da internet.

As desigualdades de gênero no mercado de trabalho se manifestam de várias formas: o emprego feminino se concentra em atividades menos relevantes do ponto de vista da informatização e do acesso à internet, além de uma presença muito escassa das mulheres em profissões de alta tecnologia e de internet.

No contexto familiar, afeta, além da renda familiar, a presença de menores de idade que são um incentivo para dispor de um computador e acesso a internet.

Parece que há razão para ser otimista, porque em todos os países aumenta o numero de usuárias.

As novas tecnologias podem contribuir para melhorar a posição das mulheres no mercado de trabalho. Teletrabalho, a teleoperação, parecem alternativas apropriadas para mulheres que necessitam combinar o emprego com as responsabilidades familiares.

É um erro, portanto, confundir o aumento do número de usuárias com a desaparição da divisão digital. O nível de estudo não reduz o tamanho e a intensidade desta divisão de gênero, mas, inclusive, a acentua.

As mulheres estariam prisioneiras de uma certa “tecnofobia”, devido a hábitos patriarcais que persistem na família, na escola e nos meios de comunicação que educam os meninos a explorar e conquistar o mundo e as mulheres para cuidar dos demais. A educação cientifica se considera mais necessária para os homens e isto cria barreiras para as mulheres, pois há tratamento diferenciado mesmo em sala de aula.

É essencial a produção e compilação urgente de dados e informação qualificada que permita aprofundar e abordar solidamente o tema da desigualdade digital. Sem dados não há visibilidade e sem visibilidade é impossível elaborar políticas para superar a divisão digital de gênero.

O objetivo é fazer possível que utilizem as tecnologias ao mesmo nível e com a mesma destreza que os homens e que ocupem postos similares a eles.