Resumo do artigo Feminist theories of technology, de Judy Wajcman

Wajcman começa seu texto falando que os feminismos liberal, feminista e pós-moderno não se desenvolveram em sucessões cronológicas ou perspectivas distintas. Ela então resgata a visão mais tradicional do que seria tecnologia, tomada em termos de maquinário industrial e poderio militar, ignorando tecnologias do cotidiano, ou seja, definindo-se com base em atividades historicamente masculinas.
Ela resgata o tradicional esforço do feminismo em demonstrar como os binarismos segundo os quais se dividiu a cultura ocidental privilegiam os pólos associados ao masculino, e afirma que do mesmo modo que as teóricas feministas tiveram um esforço em pensar o gerenciamento doméstico como contendo saberes associados a administração e economia, também mais recentemente é feito um esforço de associar as tecnologias do lar à esfera do campo tecnológico, dissociando a noção de tecnologia àquelas exclusivamente ligadas ao profissional de engenharia, sobretudo branco e de classe média.
Wajcman começa a seguir uma denúncia de que a própria cultura hacker, com sua competitividade e lógica da provação, acaba sendo machista, e que é muito mais difícil encontrar mulheres em empregos associados ao manejo ou desenvolvimento de tecnologias de ponta. Resgatando Sandra Harding, ela diz que, nesse sentido, é mais importante perguntar como a ciência se tornou tão envolvida em projetos masculinos e não como as mulheres podem se encaixar mais igualitariamente na ciência, uma vez que o feminismo socialista e o feminismo radical já demonstraram como as próprias tecnologias são muitas vezes pensadas segundo lógicas machistas.
A autora fala então das lutas que o feminismo radical assumiu contra tecnologias reprodutivas no fim dos anos 80, revisando a questão do machismo nas tecnologias, compreendendo-a com base na própria lógica de que tipos de tecnologia são desenvolvidas, superando o pensamento baseado na mera questão das apropriações, e indo de encontro ao pensamento das feministas socialistas.
Ela então começa a argumentar sobre o otimismo com que o feminismo de terceira geração vê a era digital, que borra as fronteiras entre homens e mulheres, humanos e máquinas e várias outras antes consideradas intransponíveis. Novamente, ela resgata a metáfora do ciborgue de Haraway, e demonstra como, na perspectiva desta tendência, as tecnologias são, ao contrário, libertárias. A autora então argumenta que as tecnologias não são separadas da sociedade, mas parte do tecido social, e é preciso entender que, mesmo sabendo das suas potencialidades libertárias ou que o próprio design dos objetos pode ser pensado conforme lógicas machistas, a tecnologia nem é inequivocamente libertária nem opressora, mas pode ser usada e mesmo desenhada para ambos os fins.
Enquanto as mulheres estiverem excluídas do processo do pensar tecnológico, contudo, as opressões e desigualdades não cessarão.


Resumo do texto Hackeando o Patriarcado

Boix inicia seu texto falando da ampliação das possibilidades de coordenação de estratégias e denúncias feministas com o advento das (já não tão) novas tecnologias da informação e da comunicação. Ela cita alguns nomes percussores do ciberfeminismo, como Haraway com seu manifesto ciborgue, as artistas da VNS Matrix na Austrália e os ensaios pioneiros da britânica Sadie Plant, e afirma que embora na Espanha não se tenham apresentado trabalhos tão pioneiros, a organização posterior de redes de denúncias contra a violência de gênero e os trabalhos acadêmicos de nomes como Ana Martínez Collado e Ana Navarrete.
Ela fala então que a campanha realizada a partir de 1994 para denunciar a discriminação da população dos Chiapas, no México, constitui marco no ciberativismo, e fala na Marcha Mundial das Mulheres, que se consolida como agregador de diversos grupos. Menciona a denúncia contra a violência como nexo organizador de diversos grupos de diferentes tradições e origens.
Começa a citar diversas denúncias empreendidas por diferentes grupos contra a violência de gênero e mostrar o nexo de uma narração virtual múltipla para a visibilidade dos movimentos sociais. Se detém um pouco sobre a VNS Matrix, cujo objetivo era o de crackear a indústria pornô, quebrar-lhe as lógicas, subverter-lhe os códigos. Fala também da Parthenia, monumento global às vítimas de violência doméstica, publicando as histórias privadas de sofrimento das mulheres vítimas deste tipo de agressão e das hackers do antichildporn.org. Tudo isso para demonstrar a necessidade de ocupação do ciberespaço pelos movimentos sociais, com enfoque no movimento feminista.
Ela parte então para uma história particular do movimento ciberfeminista no estado espanhol, e então a seguir finaliza o texto com histórias de hacktivismo, como a da inversão das vozes de Barbies e GI Joes, bonecos, pelo grupo hacktivista Barbie Liberation Organization.
O fundamental deste artigo não é distinguir termos e conceitos, e sim deter-se nos exemplos de mediativismo, ciberativismo, hacktivismo etc. O que a autora faz é dar exemplos de grupos que hackearam o patriarcado, e convencer leitores e leitoras da importância de fazê-lo. Entrecortado por depoimentos, trechos de manifestos e povoado de hiperlinks, o artigo de Boix tem pretensões muito mais de mobilização social do que de discussão conceitual, mostrando a potencialização pelo ciberativismo da implosão de barreiras entre teoria e prática, já postulada pelos feminismos tradicionais.


Brasil está na 82ª posição em ranking de desigualdade entre os sexos

País é um dos piores do mundo na questão da diferença salarial entre homens e mulheres
01 de novembro de 2011 | 11h 30 | Gustavo Chacra, correspondente de O Estado de S.Paulo

NOVA YORK – Mesmo com uma mulher na Presidência pela primeira vez em sua história, o Brasil ocupa a 82ª posição no ranking de desigualdade elaborado pelo World Economic Forum publicado nesta terça-feira, logo atrás de países como a Albânia, Gâmbia, Vietnã e República Dominicana.

A má colocação do Brasil, que está em último na América do Sul, se deve a um desempenho extremamente fraco na iniciativa para combater a desigualdade entre os sexos na economia e na política. Um dos problemas mais graves é a diferença salarial entre homens e mulheres que exercem o mesmo cargo.

“O Brasil é um dos piores países do mundo nesta questão salarial. As mulheres chegam a ganhar metade dos homens em alguns casos para trabalhar na mesma função”, disse ao Estado Saadia Zahidi, pesquisadora do World Economic Forum responsável pelo levantamento.

Na política, mesmo com a eleição da presidente Dilma Rousseff no ano passado, o Brasil também tem uma performance que o coloca fora dos cem primeiros colocados. Segundo Zahidi, “faltam mulheres em posições ministeriais e acima de tudo no Parlamento”.

O Brasil é o 103º e 111º colocado quando se leva em conta as mulheres em cargos ministeriais e parlamentares respectivamente em um desempenho considerado péssimo para um país com uma das maiores economia e democracias do mundo.

O World Economic Forum também adverte que faltam no Brasil mulheres em posições de liderança na iniciativa privada, ainda dominada pelos homens, de acordo com o levantamento.

Apesar de ter subido duas posições em relação ao mesmo ranking no ano passado, o Brasil manteve uma posição praticamente idêntica ao levantamento anterior. Mais grave, o país está bem distante da 67ª colocação de cinco anos atrás, quando teve a sua melhor performance.

Na América do Sul, Colômbia, Peru, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Uruguai, Chile, Equador, Argentina estão à frente do Brasil. Os argentinos, com um desempenho incomparavelmente superior ao dos brasileiros, estão na 28° colocação.

Apesar da fraca performance para igualdade entre os sexos na economia e na política, o Brasil ocupa a primeira colocação no ranking na área da saúde, empatado com vários outros países. Na educação, os brasileiros também lideram quando se leva em conta a educação secundária, mas despencam para 105ª colocação na primária.

Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,brasil-esta-na-82-posicao-em-ranking-de-desigualdade-entre-os-sexos,90527,0.htm


Resumo de “Inclusão digital, software livre e globalização contra-hegemônica”, de Sérgio Amadeu

Este texto aborda a política de inclusão digital e o movimento de software livre como uma força a favor do desenvolvimento sustentável do Brasil, da luta contra a pobreza e da globalização contra-hegemônica. A introdução trata de alguns dos principais da política de combate à exclusão digital, questionando até que ponto isto é importante diante de carências maiores provocados pela exclusão social. A definição mínima de “exclusão digital”, segundo Amadeu, passa pelo acesso ao computador e os conhecimentos básicos para a sua utilização. Atualmente, esta noção está vinculada, também, com o acesso à Internet, pois segue a ideia de que um computador que não esteja conectado à rede possui possibilidades extremamente restritas no que diz respeito à era da informação. Segundo o autor, existem diversas outras definições, mas a questão fundamental para o desenvolvimento das ideias deste texto está pautada na falta de acesso à Internet.

O autor apresenta uma tabela com a posição dos países por números de hosts, apresentada pela Network Wizards em 2002. Nela, o Brasil é o décimo colocado em números de acessos mundiais, perdendo apenas dos Estados Unidos, Japão, Canadá, Itália, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Holanda e França. Na tabela que compara os hosts nos países da América, o Brasil fica em terceiro colocado, apenas atrás dos Estados Unidos e do Canadá. Segundo o Censo 2002 do IBGE, apenas 10,6% dos domicílios brasileiros possuem computador, em um contexto em que menos de 40% possuem telefone fixo. Apesar do resultado apresentado pela Network Wizard, em termos relativos, temos menos linhas telefônicas do que nossos vizinhos Argentina e Uruguai e menos usuários individuais de Internet que Chile, Argentina e Peru.

A pesquisa Internet Pop, realizada pelo IBOPE em 2002 nas principais capitais brasileiras, mostrou que apenas 20% da população estava conectada à Internet, sendo que apenas 87% navegam com conexão de alta velocidade. Outras pesquisas realizadas mostravam que a situação das escolas, ensino médio e fundamental, também eram desanimadoras, com um pequeno número de estudantes com acesso à Internet e laboratórios de informática. Apesar de possuírem computadores, muitas escolas não tinham uma política educacional de seu uso como instrumento pedagógico.que, ao discutir

Segundo a Internet Business, de 2001, o Canadá e os Estados Unidos concentram 41% do acesso à Internet. Os países ricos usam bastante a Internet, enquanto os países pobres têm sua população bem distante dos benefícios das redes informacionais. O canadense Arthur Kroker, importante cientista político, alertou, em 1994, a formação de uma classe virtual que comandaria uma sociedade de ” info-ricos” e “info-pobres”. Segundo sua hipótese, a tecnologia trouxe mais desigualdade e mais dificuldade de superação.

Amadeu afirma que não seria exagero apontar a sociedade como tecnodependentes, pois, dificilmente seria encontrado algum exemplo histórico em que a sociedade não se organizasse de acordo com as principais tecnologias de seu período. O autor cita, então, Anthony Smith, que, em 1999, comparou a informação a um recurso social primário e apontou que a dependência informacional dos países periféricos poderia ser muito mais difícil de romper do que a existente nos períodos colonial e industrial. Amadeu desenvolve, então, a ideia de que a dinâmica capitalista e o barateamento das tecnologias de informação e comunicação estão possibilitando à sociedade ter mais acesso a elas, porém a elite as utiliza muito tempo antes de sua popularização.

O autor cita André Lemos, professor da Universidade Federal da Bahia, que, ao discutir o processo de virtualização das cidades nas sociedades atuais, disse que “o que está em jogo com as cibercidades é o intuito de lutar contra a exclusão social, regenerar o espaço público e promover a apropriação social das novas tecnologias”. Porém, até o momento, infelizmente, o que pode ser percebido é o alargamento da distância entre excluídos e incluídos. Mesmo com o constante barateamento das tecnologias, ainda percebemos uma grande disparidade de acesso às mesmas. Na América Latina, isto é nítido. No início do século XXI, 60% das crianças dessa região eram pobres e sem acesso às necessidades básicas. A revolução internacional não tem ajudado a reduzir a miséria.

A globalização não diminuiu a distância entre os pobres e os ricos. De acordo com Boaventura de Souza Santos, globalização é o conjunto de trocas desiguais pelo qual um determinado artefato, condição, entidade ou identidade local estende a sua influência para além das fronteiras nacionais e, ao fazê-lo, desenvolve a capacidade de designar como local outro artefato, condição, entidade ou identidade rival. Ele considera que a globalização é um fenômeno produzido e assimétrico (inclusão e exclusão em proporções diferenciadas).

O autor, então, desenvolve a ideia de Souza Santos e chega à afirmação de que a luta pelo digital pode ser uma luta contra a globalização contra-hegemônica. A luta pela inclusão digital não pode estar separada da defesa de processos que defendam a construção de identidade no ciberespaço pelos grupos sociais desprivilegiados, assim como a ampliação do multiculturalismo e da diversidade.

Os modelos de combate à exclusão social

Segundo Amadeu, no mínimo quatro pressupostos são assegurados a partir da ideia de transformar a inclusão digital em políticas públicas. São eles: o reconhecimento de que a exclusão digital amplia a miséria e dificulta o desenvolvimento humano e local; o mercado não irá incluir na era da informação a parte da população desprovida de dinheiro;  a velocidade da inclusão é decisiva para que a sociedade tenha sujeitos e quadros em número suficiente para aproveitar as brechas de desenvolvimento no contexto da mundialização de trocas desiguais e, também, para adquirir capacidade de gerar inovações; e, por fim, o direito à comunicação é sinônimo de direito a comunicação mediada por computador, sendo, então, uma questão de cidadania.

A política pública em questão não deve estar ligada apenas ao papel do Estado. As empresas precisam agir, assim como outras associações e organizações. Muitas ONGs já realizam projetos de inclusão digital. Projetos como o Sampa.org, CDI-SP, CDI, Rede favela (RJ), Informática na Comunidade, Garagem Digital são exemplos de iniciativas do terceiro setor. A eficácia dessas ações ainda não pode ser notada devido à dispersão das atividades e à ausência de indicadores consolidados.

É fundamental determinar quais são os papéis de cada uma dessas instâncias no processo de inclusão digital. Apesar as ONGs terem experiência e uma atuação mais ágil do que a do Estado, elas dependem diretamente do financiamento do mercado ou do próprio Estado. Amadeu questiona, então, se caberia ao mercado o papel de formular políticas públicas de inclusão digital. Para ele, há dois caminhos: o mercado poderia desvirtuar as políticas públicas, subordinando as metas de universalização e projetos mais viáveis de inclusão aos interesses mercantis de determinadas empresas; por outro lado, as empresas poderiam realizar parcerias importantes com o poder público, investindo em instrumentos de inclusão digital, como, por exemplo, telecentros.

O autor define três focos distintos no discurso e nas propostas de inclusão: inclusão digital voltada à ampliação da cidadania; o combate à exclusão digital como elemento voltado à inserção das camadas pauperizadas ao mercado de trabalho na era da informação; a importância da formação sócio-cultural dos jovens, na sua formação e orientação diante do dilúvio informacional, no fomento de uma inteligência coletiva capaz de assegurar a inserção autônoma do país na sociedade informacional. Esses três focos não são conflitantes entre si.

Disso, o autor segue para o objeto da inclusão digital. É possível distingui-la como o acesso: à Internet; aos conteúdos da rede; aos e-mails e aos modos de armazenamento de informações; a linguagens básicas (MP3, chats etc.); às técnicas de produção de conteúdo (html, xml e assim por diante); e, por fim, à construção de ferramentas e sistemas voltados às comunidades (programação, design etc.). Em geral, a maioria dos programas de inclusão digital estão voltados apenas para o acesso à Internet, esquecendo que isso é apenas um passo inicial. Dessa forma, fica cada vez mais visível que é possível diferenciar as políticas de inclusão digital, levando em consideração diferentes modelos, que podem ser considerados a partir de seis blocos:

1 – Unidades de Inclusão: bibliotecas informatizadas e conectadas à rede; laboratórios escolares de informática conectados à Internet; salas de aula informatizadas e conectadas; telecentros; quiosques (em geral, com um número pequeno de computadores conectados); totens ou orelhões de Internet.

2- Opções Tecnológicas: sistema operacional livre ou proprietário; hardware com soluções inovadoras, como thin-client, ou tradicionais do uso individual e caseiro; aplicativos copyright ou copyleft; voltados à interação e à solução de problemas das comunidades;

3- Atividades Disponíveis: uso livre, limitado ou monitorado; impressão de documentos; cursos presenciais e à distância; acesso à correio eletrônico e a área de arquivo própria; atividades comunitárias em rede;

4- Monitoria da Unidades: com ou sem monitores e orientadores contratados; com ou sem o envolvimento de voluntários; com ou sem o controle da comunidade, a partir de conselhos gestores eletivos.

5- Sustentabilidade das unidades: recursos do fundo público; recursos das empresas; contribuições individuais e coletivas; cobrança do usuário.

6- Autonomia e participação das Comunidades: comunidades com poder de decisão sobre a gestão; comunidades com poder consultivo sobre a gestão; comunidades com poder fiscalizador sobre a gestão; comunidades com poder orçamentário sobre o programa; comunidades com poder de planejar o futuro do programa.

Para Amadeu, o modelo mais eficaz de atividades de inclusão digital passa pelo envolvimento da comunidade no processo decisório e de planejamento, assim como envolvimento de ONGs no gerenciamento e na organização das atividades de inclusão digital.

Inclusão e liberdade: a questão do Software Livre

Amadeu afirma que o software livre é a maior expressão da imaginação dissidente de uma sociedade que busca mais do que a sua mercantilização. É um movimento baseado no compartilhamento do conhecimento e na solidariedade. Em 1985, o surgimento da Free Software Foundation começou o movimentocom a ideia de produzir um sistema operacional livre. Os vários esforços de programação eram reunidos em torno do nome GNU (Gnu Is Not Unix). A Licença Pública Geral (GPL, em inglês) foi imposta, afim de que os esforços não fossem utilizados indevidamente: isto ficou conhecido como copyleft, em oposição ao copyright. O GPL é aplicado em tudo o que o direito autora pode ser aplicado: músicas, livros, softwares etc.

Com a difusão da Internet, o movimento ganhou força e produziu um sistema operacional livre e multifuncional, o GNU/LINUX, fruto do trabalho de mais de 400 mil desenvolvedores espalhados pelos 5 continentes e por mais de 90 países. O sistema operacional da Microsoft, maior desenvolvedora de softwares, é produzido por uma empresa que tem em seu quadro fixo cerca de 30 mil funcionários, localizados nos Estados Unidos.

Na lógica de softwares proprietários, os usuários não possuem acesso ao código-fonte nem podem contribuir constantemente com o aprimoramento do sistema. Com isso, a inovação dos software livres podem ser muito maiores do que a inovação dos proprietários. O próprio mercado começou a utilizar o software livre. Apesar disso, o sistema proprietário ainda domina o mercado de computadores pessoais, em um desequilíbrio claramente visível.

O Brasil, com todo seu potencial produtivo e criativo, deve investir em políticas de inclusão digital a partir de uma perspectiva que incentive a queda do valor pago de royalties ao exterior e incentive o crescimento das empresas nacionais, sem vetar, claro, as empresas multinacionais em nosso país. Amadeu afirma que, “em síntese, é fundamental integrar a política de inclusão digital, de informatização das escolas, das bibliotecas públicas e à adoção de TI como instrumento didático-pedagógico à estratégia de desenvolvimento tecnológico nacional.” Outros argumentos para o uso de software livre nas políticas de inclusão digital diz respeito aos recursos economizados com as licenças de propriedade; o incentivo na formação e profissionalização nesta área, pois os telecentros, por exemplo, precisariam de mão de obra especializada; e, “como último argumento listado, não é correto utilizar dinheiro público para formar e alfabetizar digitalmente os cidadãos em uma linguagem proprietária de um monopólio privado transnacional”. O sistema operacional é o item mais importante de um computador, por ser uma linguagem que possibilita a comunicação homem-máquina e homem-máquina com outro homem-máquina. E o fato de os sistemas proprietários serem construídos afim de evitarem a compatibilidade com outros sistemas concorrentes causa o monopólio, e o dinheiro público deve ser utilizado para incentivar a proliferação de linguagens e softwares essenciais de domínio público.

Para exemplificar os argumentos acima, Amadeu afirma que caso o TCP/IP, principal linguagem da Internet, fosse de propriedade privada de uma empresa, provavelmente a rede mundial de computadores não teria a penetração e perfil democrático que tem hoje. Segundo ele, “o combate à exclusão digital está intrinsecamente ligado à democratização e desconcentração do poder econômico e político”.

Conclusão: livre e includente

Para concluir, o autor afirma que a visão de que o uso de computador só é importante para a profissionalização da população deve ser deixada para trás. As crianças e adultos que estão fora da escola também devem ser incluídos nas políticas de inclusão digital. A comunicação mediada por computadores deve ser realidade de todos, inclusive da parcela pobre da população. O controle das linguagens tecnológicas devem estar acessíveis a todos. Forma-se um claro vínculo entre o software livre e o combate à exclusão digital.

Incluir digitalmente é um grande passo contra a miséria e sua proliferação. O compartilhamento de softwares e de conhecimento é decisivo para a democratização tecnológica. A liberdade, a contra-hegemonia, a autonomia e a desconstrução de monopólios devem ser incentivados em prol da inclusão digital.

(O texto original pode ser encontrado aqui.)


Questionário no ar!

O questionário que nos ajudará a desenvolver nossa pesquisa já está disponível on-line neste link! Ele deverá ser respondido apenas por estudantes de graduação em cursos de Comunicação Social da cidade de Salvador.

A sua resposta é completamente anônima e o mecanismo do formulário é seguro, gerado pelo Google. Sua resposta é importante para estabelecermos um panorama dos usos de redes sociais e softwares de edição e da inserção nas lógicas colaborativa e de computação em nuvem dos estudantes de Comunicação Social de Salvador.

Obrigado pela sua participação.


Resumo do texto Nuevas tecnologias y género: la segunda brecha digital y las mujeres (Cecilia Castaño)

Pode parecer que, com o aumento de usuários de computador e internet, diminuiu a divisão entre homens e mulheres, no entanto, a segunda divisão, relativa aos usos e habilidades parece difícil de resolver.

A difusão tecnológica que ocorreu com a televisão e o telefone móvel, por exemplo, sugerem que estes processos de difusão eliminam as diferenças econômicas e sociais. Porém, nem todas as nações, nem todos os cidadãos incorporam as inovações no mesmo ritmo, alguns, inclusive, nem chegam a incorporar.

Mesmo que o individuo se torne usuário não significa que este seja um usuário avançado. As empresas necessitam incorporar as inovações tecnológicas. Como consequência, provoca um processo de substituição de empregos: enquanto se destroem alguns, criam-se outros.

Rogers diferencia os indivíduos em cinco grupos:

1 – Inovadores

2 – Early Adopters – Lideres sociais com alto nível intelectual

3 – Early Majority – Prudentes e com grande rede de contato

4 – Late Majority – Baixo status socioeconômico

5 – Retardados – Tradicionais ou isoladas em seu sistema social

Roger deduz que para que o acesso seja efetivo, a possibilidade de acesso deve ser somada ao conhecimento, interesse, assim como a utilidade e aplicabilidade desta ferramenta para objetivos pessoais.

O estudo da Divisão Digital deve ir além do acesso à internet e analisar os usos e sua intensidade.

Alguns autores consideram a tecnologia o caminho potencial de exclusão social, pois a ausência de tecnologia constitui uma desvantagem para certos grupos sociais. Outros insistem que a existência de divisões digitais constitui uma barreira para o desenvolvimento de uma “Sociedade de Informação Equitativa”.

A barreira mais difícil de derrubar não é a do acesso (1ª divisão), mas a do uso (2ª divisão).

Rogers define a divisão digital como “a divisão que existe entre indivíduos que tiram proveito da internet e aqueles outros que estão em desvantagem relativa a respeito da internet”.

Divisão do Conhecimento: os seguimentos com nível socioeconômico mais elevado tendem a apropriar-se a uma velocidade mais rápida que os indivíduos de nível mais baixo. Aumentando, assim, a divisão em lugar de reduzir. Acesso não é o suficiente. É necessário também possuir determinadas habilidades para manusear um computador (complexo artefato multitarefa).

O que faz dos computadores “radicalmente diferentes, sem dúvidas, é que é uma ferramenta muito poderosa para trabalhar e aprender, e que requerem uma certa capacidade de memoria e de pensamento abstrato, que constituem a base das habilidades de aprendizagem”.

A internet é uma inovação caracterizada por um alto grau de vantagem relativa. Pensamos que está ao alcance de todos, mas, na verdade, requer certas capacidades para buscar informações, processa-las e utiliza-las para alcançar determinados objetivos.

A segunda Divisão está relacionada com a divisão do conhecimento, com as “habilidades digitais”. Gilster propõe o termo “Digital Literacy” (Alfabetização digital) para definir a capacidade de adaptação às novas “Tecnologias da Informação e Comunicação” (TIC). Surpreende a pequena quantidade de pessoas que possuem estes conhecimentos, incluindo jovens e licenciados universitários.

Os benefícios da Digital Literacy são evidentes e implica em adquirir conhecimentos de busca, classificação, avaliação e apresentação da informação.

As diferenças entre homens e mulheres se dão em todas as sociedades atuais. Os homens são usuários mais regulares de internet que as mulheres em todos os países e grupos de idade, além de muito mais homens que mulheres ocuparem empregos de informática na U.E.

Em todas as idades, a proporção de mulheres com níveis altos de habilidade em informática e navegadores é menor que de homens. A proporção de mulheres que trabalham profissionalmente com informática é muito pequena e não vem melhorando. A preocupação é que estas diferenças de gênero nas profissões de informática não parecem que tende a reduzir no futuro.

Três tipos de fatores que afetam o uso do computador e da internet: Capital humano; Contexto familiar; Contexto Social.

Estatísticas mostram que existe uma relação positiva entre o capital humano de uma pessoa e seu uso privado do computador e da internet.

As desigualdades de gênero no mercado de trabalho se manifestam de várias formas: o emprego feminino se concentra em atividades menos relevantes do ponto de vista da informatização e do acesso à internet, além de uma presença muito escassa das mulheres em profissões de alta tecnologia e de internet.

No contexto familiar, afeta, além da renda familiar, a presença de menores de idade que são um incentivo para dispor de um computador e acesso a internet.

Parece que há razão para ser otimista, porque em todos os países aumenta o numero de usuárias.

As novas tecnologias podem contribuir para melhorar a posição das mulheres no mercado de trabalho. Teletrabalho, a teleoperação, parecem alternativas apropriadas para mulheres que necessitam combinar o emprego com as responsabilidades familiares.

É um erro, portanto, confundir o aumento do número de usuárias com a desaparição da divisão digital. O nível de estudo não reduz o tamanho e a intensidade desta divisão de gênero, mas, inclusive, a acentua.

As mulheres estariam prisioneiras de uma certa “tecnofobia”, devido a hábitos patriarcais que persistem na família, na escola e nos meios de comunicação que educam os meninos a explorar e conquistar o mundo e as mulheres para cuidar dos demais. A educação cientifica se considera mais necessária para os homens e isto cria barreiras para as mulheres, pois há tratamento diferenciado mesmo em sala de aula.

É essencial a produção e compilação urgente de dados e informação qualificada que permita aprofundar e abordar solidamente o tema da desigualdade digital. Sem dados não há visibilidade e sem visibilidade é impossível elaborar políticas para superar a divisão digital de gênero.

O objetivo é fazer possível que utilizem as tecnologias ao mesmo nível e com a mesma destreza que os homens e que ocupem postos similares a eles.